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Blue Comets ’66: doze canções próprias

Em 10 de setembro de 1966, os Blue Comets deram sequência à recepção aos Beatles com doze canções originais. Os covers estrangeiros haviam desaparecido.

Blue Comets ’66: doze canções próprias

Em 10 de setembro de 1966, ジャッキー吉川とブルー・コメッツ (Jackey Yoshikawa and His Blue Comets) lançaram 青い瞳/青い渚 オリジナル・ヒット集 (Aoi Hitomi / Aoi Nagisa Original Hit-shū), também conhecido como BLUE COMETS ’66. Doze faixas, todas originais. A oitava se chamava ウェルカム・ビートルズ (Welcome Beatles).

Dois meses antes, os Blue Comets haviam tocado no Nippon Budokan enquanto o público esperava pelos Beatles.

Isso poderia ter bastado: acompanhar cantores, tocar sucessos ocidentais, permanecer perto da História enquanto quatro homens de Liverpool ocupavam o centro dela. Em vez disso, os Blue Comets voltaram em setembro com um álbum que citava os Beatles pelo nome e não trazia nenhuma música deles.

Uma canção japonesa disfarçada de disco estrangeiro

No início de 1966, um disco assim estava longe de ser inevitável. Os Blue Comets haviam surgido do universo das bandas de apoio e dos instrumentais. Nos três primeiros singles daquele ano, cinco dos seis lados não tinham vocais. A exceção era 青い瞳 (Aoi Hitomi), composta pelo saxofonista e cantor do grupo 井上忠夫 (Tadao Inoue), com letra de 橋本淳 (Jun Hashimoto).

Até essa canção precisou chegar ao mundo em inglês.

O selo CBS da Nippon Columbia era então reservado a discos classificados como música estrangeira. Um original em japonês não se encaixava. Hashimoto reescreveu a letra em inglês, e o single foi lançado em 20 de março. Um grupo japonês havia escrito sua própria música, mas precisou vê-la vestida como um disco importado antes que a gravadora permitisse seu lançamento.

O disfarce funcionou. A versão em inglês vendeu mais de 100 mil cópias. Uma versão em japonês veio em 10 de julho e ultrapassou 500 mil, segundo números divulgados posteriormente pelo produtor do grupo. Em poucos meses, a única faixa cantada entre seis lados de singles havia se tornado justamente aquela que a gravadora já não podia tratar como exceção. Nippon Broadcasting

Entre os dois lançamentos vieram os Beatles.

Os Beatles são citados. Não são tocados.

O programa de abertura no Budokan começou com Welcome Beatles, composta por Inoue com letra de 安井かずみ (Kazumi Yasui) e apresentada com cantores japoneses reunidos para a ocasião. O título deixa pouco espaço para ambiguidade. O Japão estava recebendo a maior banda do mundo.

Depois, os Blue Comets levaram a canção para casa.

Em BLUE COMETS ’66, 青い渚 (Aoi Nagisa) abre o álbum. A versão japonesa de Aoi Hitomi abre o lado dois, imediatamente seguida por Welcome Beatles. A sequência contém a história inteira: a canção que primeiro precisou de uma letra em inglês, a canção escrita para receber a banda britânica mais famosa e, ao redor delas, outras dez faixas criadas para os Blue Comets.

Os Beatles são citados. Não são tocados.

“Original” não significava que os cinco músicos tivessem escrito tudo sozinhos. Inoue compôs várias das canções centrais do álbum, enquanto compositores e letristas profissionais forneceram outras. Os Blue Comets não tinham escapado da indústria musical japonesa, nem precisavam disso. O que desapareceu dessas doze faixas foi o repertório estrangeiro emprestado. Nippon Columbia

Eles não foram o primeiro grupo japonês a dar esse passo. The Spiders haviam lançado em abril um álbum quase inteiramente original. BLUE COMETS ’66 não precisa carregar uma falsa primazia histórica. Sua importância está na velocidade da mudança: de cinco lados instrumentais em seis, para um sucesso em japonês, e depois para um álbum inteiro de canções originais antes do fim do verão.

Seis meses depois, Inoue e Hashimoto escreveriam ブルー・シャトウ (Blue Chateau). A canção se tornaria o grande sucesso definidor dos Blue Comets e venceria o Japan Record Award de 1967. Japan Composer’s Association

Mas esse futuro não existe em BLUE COMETS ’66. Ouça, em vez disso, o início do lado dois: Aoi Hitomi, depois Welcome Beatles. O Japão agradece aos visitantes. Os Blue Comets ficam com o palco.

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