“Ronin” foi lançado em 17 de julho de 2024, mas seu ponto de partida veio antes, em um estúdio onde Rio Suyama gravava com a formação anterior do Re:O. Foi ali que ela conheceu o baixista James Wright. Rio queria fazer música mais pesada. James queria combinar esse peso com o som guiado por sintetizadores que ela já havia criado.
O guitarrista Jon Roberts e o baterista James “J” Stevens completaram a formação. Um projeto solo criado no Japão havia se tornado uma banda nipo-britânica no Reino Unido. Rio ainda traz a primeira ideia. Ela já não decide sozinha onde ela termina.
No dia do lançamento, J-POP streaming conversou com Re:O sobre aprender a compor em quatro pessoas, mudar do Japão para a Grã-Bretanha e por que chá demais talvez seja responsável por algumas partes de bateria quase impossíveis de tocar.
Esta conversa foi editada por extensão e clareza.
Um projeto solo aprende a discutir
Antes de qualquer coisa: como se pronuncia Re:O?
Rio: “Rio”, igual ao meu nome.
O que mudou quando Re:O virou uma banda?
Rio: Era meu projeto solo. Eu me mudei para cá e o transformei em uma banda.
James Wright: Rio estava no estúdio com a formação anterior, gravando um EP. Começamos a conversar e ela queria mudar a direção da música que fazia. Decidimos misturar influências mais pesadas com o som que ela já tinha estabelecido.
Para isso funcionar, precisávamos de um guitarrista, e foi aí que Jon entrou, e de um baterista, então James também se juntou a nós. Com quatro pessoas, cada instrumento ganhou seu próprio caráter, em vez de a música ser conduzida por uma só pessoa.
Vocês quatro chegaram com referências musicais muito diferentes. O que cada um traz?
Jon: Metallica provavelmente é a resposta fácil. Entre as bandas japonesas, adoro LOUDNESS. Akira Takasaki é um dos meus guitarristas favoritos, mesmo que eu não consiga fazer nada do que ele faz. É simplesmente divertido ouvi-lo.
Rio: Eu ouço pop e música pesada. Grimes é uma influência, assim como UVERworld, 10-FEET, MAXIMUM THE HORMONE e Nine Inch Nails. Gosto de coisas diferentes demais.
James Wright: Breaking Benjamin e Tool são duas bandas das quais nunca me canso. Spiritbox também — a forma como escrevem e o que construíram como banda é fantástica.
J: Cresci com o grunge e a era do nu metal: Nirvana, The Offspring, Green Day, Silverchair, Deftones, Korn, Limp Bizkit, Skindred. Mas se eu tivesse de escolher uma banda, seria Foo Fighters.
A mudança foi por causa das pessoas
Rio, por que você deixou o Japão pelo Reino Unido?
Rio: Eu gostava de fazer música sozinha, mas sentia falta de escrever com outras pessoas. Eu tinha tocado em várias bandas antes do Re:O, mas infelizmente elas não deram certo.
Sempre quis vir para cá porque o Reino Unido tem uma cena musical forte. Cresci ouvindo música britânica — Arctic Monkeys, mas também música pesada, indie rock e punk. Pensei que, se me mudasse para cá, talvez encontrasse ótimas pessoas com quem fazer música.
Re:O: Talvez um dia você encontre. Até lá, tem a gente.
As músicas começam sozinhas e depois viram discussões
Como uma música do Re:O começa hoje?
Rio: Não sou muito boa em sair ou ficar com pessoas, então geralmente estou em casa. Às vezes uma melodia aparece enquanto estou relaxando. Abro meu Mac, construo a música e, quando acho que a ideia é boa, mando para a banda.
James Wright: Começa com uma ideia da Rio. Depois construímos em cima dela e acrescentamos nossas influências muito diferentes.
J: Rio tem o hábito de escrever partes de bateria quase impossíveis de tocar. Recebo um vídeo da tela dela: bumbos duplos por todo lado, padrões de hi-hat, uma caixa que soa um pouco como jungle.
Eu entendo a ideia, mas fisicamente teria de montar o hi-hat e a caixa tão perto que acertaria os dois com a mesma baqueta — e provavelmente bateria no aro. Mas isso me tira da zona de conforto. A primeira reação é: “Isso é impossível.” A pergunta seguinte é: “Como fazemos isso funcionar?”
Rio: É porque eu bebo chá demais. Fico animada e escrevo padrões de bateria malucos.
Fazemos muitos sons que ficam melhores quanto mais altos eles são.
Por que “Ronin” precisava ficar mais pesado
“Ronin” seguiu esse mesmo processo?
James Wright: Começou com uma ideia de synth da Rio. Depois virou: “Vamos escrever uma música sobre um samurai.”
Rio: Eu disse não.
James Wright: Então perguntei de novo.
Rio: Fiz o instrumental, trabalhamos nas letras e eles continuavam dizendo: “Essa é uma música de samurai.” Não era o que eu tinha planejado.
Re:O: Para ser justo, não é sobre um samurai. É sobre um ronin. Uma diferença pequena, mas importante.
A brincadeira encontrou a imagem certa. Re:O descreve “Ronin” como uma música sobre traição, dúvida e a decisão de abrir um novo caminho, expressas pela figura de um samurai sem mestre. A música foi escrita pelos quatro integrantes, com letras de Rio Suyama e James Wright.
Daqui a algumas semanas vocês farão o primeiro show com esta formação. O que será diferente?
Rio: Será minha segunda vez no The Spice of Life, mas nosso primeiro show juntos com esta formação. Estou animada para voltar com essas pessoas.
J: É um set novo, uma banda nova e quase um som novo. Agora temos synths, backing tracks, monitores in-ear e click tracks, então tudo precisa ser exato. Foi uma curva de aprendizado, mas está soando bem. Mal posso esperar para subir ao palco.
Re:O: Só uma música do material antigo sobreviveu. O resto é novo.
Amigos antes dos negócios
Vocês já parecem muito próximos para uma formação tão nova. O estúdio é tão harmonioso assim?
J: Você devia ver a seção de cordas no estúdio. Pode parecer dois rinocerontes batendo cabeça. Temos diferenças criativas porque cada um sabe como quer que seu próprio estilo apareça em uma música.
Re:O: Às vezes brigamos como um casal velho. Depois seguimos em frente.
J: Nosso grupo do WhatsApp está cheio de memes e vídeos editados, mas também sabemos levantar uns aos outros quando alguém está tendo um dia ruim. Temos objetivos, mas nem tudo é negócio. Acima de tudo, somos amigos.
Re:O: Somos um grupo de amigos fazendo a música que amamos. Queremos que as pessoas venham junto nessa jornada.