福山雅治 (Masaharu Fukuyama) lança 超新星 (Chōshinsei) em 9 de setembro, seu 13º álbum de estúdio e o primeiro desde AKIRA, lançado cinco anos e nove meses antes. Algumas edições limitadas colocam este novo trabalho ao lado de trinta anos de músicas anteriores. Quinze faixas dos anos 1990 foram regravadas com sua banda atual. Outras quinze, lançadas entre 2000 e 2020, receberam novas mixagens e remasterizações sem substituir as performances originais.
Os dois projetos carregam o mesmo lema: THE LATEST IS THE GREATEST. Fukuyama faz uma afirmação clara sobre o presente. O lançamento oferece material suficiente para que os ouvintes a coloquem à prova.
O novo álbum vem primeiro
Chōshinsei reúne 18 faixas do trabalho de Fukuyama desde 2021. Várias foram escritas para filmes, dramas de televisão ou campanhas publicitárias, entre elas “妖 (Ayakashi)”, “想望 (Sōbō)”, “ひとみ (Hitomi)”, “万有引力 (Ban’yū Inryoku)” e “木星 feat. 稲葉浩志 (Mokusei feat. Kōshi Inaba)”. “ヒトツボシ (Hitotsuboshi)”, lançada originalmente por KOH+, aparece aqui como uma auto-regravação.
Duas músicas inéditas, “SUPERNOVA” e “ウシュクベーハー (Ushukubēhā)”, abrem o álbum. Uma versão ao piano de “拍手喝采 (Hakushu Kassai)” aparece como faixa bônus. O site oficial lista as 18 faixas e os projetos ligados a elas.
A distinção é importante. A edição Regular traz apenas este álbum. O material retrospectivo pertence a duas edições limitadas separadas, cada uma combinando Chōshinsei com um tratamento diferente do catálogo de Fukuyama.
Esse catálogo inclui músicas conhecidas por várias gerações no Japão: “HELLO”, “Squall”, “桜坂 (Sakurazaka)”, “虹 (Niji)” e “家族になろうよ (Kazoku ni Narō yo)”. A presença delas dá ao lançamento um apelo comercial evidente. Mas o trabalho realizado vai além de simplesmente reunir mais uma coletânea de masters existentes.

Os anos 1990 voltam ao estúdio
THE LATEST IS THE GREATEST vol.1 começa com o single de estreia de Fukuyama, de 1990, “追憶の雨の中 (Tsuioku no Ame no Naka)”, e percorre seu catálogo com “MELODY”, “All My Loving”, “IT’S ONLY LOVE”, “HELLO”, “Message”, “HEAVEN” e “Squall”.
Nenhuma gravação original é usada. Fukuyama voltou a tocar as 15 músicas em sessões ao vivo de estúdio com músicos que o acompanham há anos: Akira Inoue nos teclados, Hideo Yamaki na bateria, Kenji Takamizu no baixo, Tsuyoshi Kon e Hirokazu Ogura nas guitarras, Chieko Kinbara no violino e Takuo Yamamoto no saxofone. Mizuo Miura, que trabalha nos discos de Fukuyama desde 1993, ficou responsável pela gravação e mixagem. Um documentário sobre as sessões acompanha o disco. O site oficial traz a formação completa e a lista de faixas.
Fukuyama e esses músicos abordam as canções depois de anos de experiência em shows. Tempos, fraseados e arranjos podem mudar no palco muito depois do lançamento de uma gravação de estúdio. Gravá-las novamente traz essa experiência de volta ao estúdio.
Também traz a voz atual de Fukuyama. Ele não pode cantar “HELLO” ou “Squall” como o homem que as gravou pela primeira vez, porque aquele homem já não existe. Qualquer mudança em sua extensão vocal, entrega ou interpretação faz parte do projeto.
As versões originais preservam algo que essas sessões não conseguem reproduzir: a voz exata, a produção e as circunstâncias de seu tempo. Elas também carregam as memórias dos ouvintes que as descobriram naquela época. As novas gravações têm outra função. Elas documentam como Fukuyama e sua banda tocam essas músicas em 2026.
Se isso as torna melhores, continua sem resposta.
As gravações de 2000 a 2020 são reconstruídas por dentro
THE LATEST IS THE GREATEST vol.2 mantém as performances existentes. O material gravado recebeu novas mixagens e remasterizações, em vez de ser tocado novamente.
Dez músicas foram escolhidas por votação dos ouvintes, entre elas “明日の☆SHOW (Ashita no SHOW)”, “道標 (Michishirube)”, “最愛 (Saiai)”, “Sakurazaka”, “Kazoku ni Narō yo”, “milk tea” e “少年 (Shōnen)”. Fukuyama e sua equipe de produção selecionaram outras cinco: “Niji”, “蛍 (Hotaru)”, “KISSして (Kiss Shite)”, “生きてる生きてく (Ikiteru Ikiteku)” e a instrumental “vs. ~知覚と快楽の螺旋~ (vs. — Chikaku to Kairaku no Rasen)”. O anúncio identifica quais faixas vieram da votação e quais foram acrescentadas pela equipe de Fukuyama.
A mixagem determina o equilíbrio e a posição da voz e dos instrumentos. Retornar às pistas gravadas pode revelar detalhes, reduzir outros ou mudar o peso de um arranjo. A remasterização então prepara essa nova mixagem para os formatos e equipamentos de audição atuais.
A performance em si continua ligada à sessão original. O cantor ouvido em “Sakurazaka” não voltou ao estúdio. Fukuyama está mudando a forma como aquela voz chega até nós, não a substituindo por sua voz aos 57 anos.
Os anúncios oficiais não explicam por que o catálogo foi dividido no ano 2000 nem por que cada período recebeu um tratamento diferente. Isso pode refletir a relação de Fukuyama com essas músicas. Questões técnicas ou de produção também podem ter influenciado a decisão. Os dois discos mostram o que foi feito; não estabelecem por que essa fronteira foi escolhida.
Essa incerteza mantém The Latest Is the Greatest onde deve estar: como uma ambição de Fukuyama para este lançamento, não como uma conclusão fornecida por seu marketing. Chōshinsei apresenta o músico que ele é hoje. As edições limitadas colocam suas músicas anteriores ao lado dele. Só ouvir em sequência as versões originais e as de 2026 pode mostrar o que realmente mudou.